Merengue: maravilhosamente mexido!

Dançar merengue

A história do Merengue é uma história de escravidão, de reinvenção, de ascensão política e de grande paixão pela música e pela dança que orgulhosamente exibem esse nome. Não é qualquer uma que se torna a dança nacional de um país… conheça a ascensão deste doce Merengue.

História de um merengue

Considerada a dança nacional da República Dominicana, o Merengue tem origens marcadamente crioulas e, remontando aos finais do século XVIII, início do século XIX, é o resultado da fusão entre o Minuet africano e francês. Depois de observar os grandes bailes dados pelos seus “senhores”, os escravos negros reinpretavam essas danças, que consideravam demasiado entediantes, adicionando o batuque dos tambores e passos mais rápidos. Entre 1838 e 1849, esta dança, na altura conhecida como Upa Habanera (Upa de Havana) começou a difundir-se pelas Caraíbas, tendo sido muito bem recebida em Porto Rico. Um dos passos dessa dança chamava-se “merengue” e, quando a novidade chegou à República Dominicana a dança ficou rapidamente conhecida por esse nome. Nessa altura, era a Tumba que dominava as pistas de dança dominicanas e a alta sociedade olhava com desdém para o recém-chegado Merengue, apontando as suas letras – recheadas de conotações sexuais e políticas – como simplesmente vulgares.

Uma ascensão política

Passo a passo, o Merengue foi conquistando o seu lugar e, em 1850, já destronava a Tumba, mas manteve-se uma dança exclusiva das classes média-baixa. O auge da sua popularidade deu-se em 1930 quando Rafael Trujilo – grande fã do Merengue – utilizou essas músicas na sua campanha presidencial. Luiz Alberti escreveu uma letra “decente” para a ocasião e assim nasceu o tema “Compadre Pedro Juan”: aceite por toda a sociedade unanimemente. Tornou-se, a partir de então, na música simbólica da cultura nacional, mas devido à ditadura de Rafael Trujilo o Merengue adoptou durante, as três décadas seguintes, uma postura e um som mais sóbrio. Renasceu em 1961 com o assassinato de Trujilo e, ao ser exportado, o Merengue ganhou novo fôlego com as influências do rock e R&B americano, bem como alguns elementos da Salsa cubana. A paixão pelo Merengue é ainda partilhada pelos povos de Porto Rico, Haiti, Venezuela e Colômbia.

Dança comigo?

De uma leveza surpreendente, apesar dos seus ritmos curtos, rápidos e precisos, o Merengue – que requer um par de bailarinos com vontade de se entrelaçarem – é uma das danças mais simples e divertidas de aprender. O passo base de toda a sua estrutura é elementar: enquanto um dos pés marca o tempo, o outro é arrastado no chão. As pernas comandam esta dança frenética, contrastando com os membros superiores, que se mantêm praticamente imóveis. Tudo isto acontece ao som da música Merengue que fica no ouvido e contagia os pés graças à harmonia proporcionada por saxofones, acordeões, trompetas, teclados, guitarras electrónicas e sintetizadores, sem esquecer os vocalistas que interpretam letras muito engraçadas.

Lendas dançantes

Não é todos os dias que descobrimos lendas fabulosas por de trás de um determinado estilo de dança. Embora não saibamos se se trata de facto ou ficção, a verdade é que são histórias divertidas que talvez possam ter influenciado a forma de dançar Merengue. A primeira lenda conta que esta dança começou com os escravos que, acorrentados uns aos outros, viam-se forçados a arrastar uma perna para poderem trabalhar nos campos de cana-de-açúcar. A segunda fábula diz que um dos grandes heróis de guerra da República Dominicana foi lesionado numa perna e quando regressou à sua terra natal, a comunidade recebeu-o com uma enorme festa. Com respeito pelo que lhe tinha acontecido, todos dançaram como ele: a coxear e a arrastar uma perna! Há quem diga ainda que o Merengue foi buscar a sua designação ao doce com o mesmo nome (em português são os suspiros) – leve e doce, tal como a dança.

Vídeo de demonstração

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