Samba: balançar brasileiro

Dançarina de Samba

Não há ninguém que não sonhe saber sambar – a dança brasileira por excelência seduz com os seus ritmos contagiantes e movimentos quentes, onde os principais requisitos são a oscilação das ancas e o balançar da cintura. Prontos para sambar?

Origens

Embora o Samba seja hoje dançado em todo o território brasileiro, esta dança nasceu no Rio de Janeiro no final do século XIX, início do século XX, trazida pelos negros chegados da Bahia. Essa dança era ritmada graças a frases curtas e refrãos anónimos que, aos poucos, foi adicionando outros géneros musicais à sua base – caso do lundu, xote, polca e maxixe – resultando no Samba carioca e carnavalesco que conhecemos hoje. Graças ao seu batuque inconfundível e contagiante, a sua difusão foi imediata e de enorme impacto – em 1917 gravou-se, em disco, o primeiro Samba. Chamava-se “Pelo Telefone” e nunca mais deixou de tocar, graças também à inauguração da rádio em 1922.

Anos 20 & 30

Estas duas décadas de Samba brasileiro foram de enorme desenvolvimento e riqueza cultural, onde a dança foi ganhando novas variantes, interpretações e intérpretes. As escolas de Samba não paravam de abrir portas e os corsos carnavalescos eram a grande aposta para esta dança que se multiplicava ao seu próprio ritmo frenético. Nasceu o Samba-choro (de elevada complexidade melódica e harmónica); o Samba-canção (mais lento, mas com uma entoação elaborada e temáticas sentimentais); o Samba-de-breque (continha uma pausa durante a música, altura em que o cantor fazia uma intervenção falada); e o Samba-exaltação (marcado por uma longa melodia e refrãos patrióticos).

Anos 40 & 50

Os vinte anos que se seguiram deram uma lufada de ar fresco ao Samba que foi alvo de grandes influências latinas e americanas. O Samba de gafieira, por exemplo, resultou de uma nova forma de tocar o Samba – as orquestras americanas adaptaram os ritmos para que o Samba pudesse ser dançado aos pares nos grandes salões de dança públicos. Uma nova adaptação dos ritmos, desta feita a incorporação de elementos musicais americanos, resultou na criação do Sambalanço – a verdade é que o Samba não tinha limites, era a criatividade e versatilidade na pista!

Anos 60 & 70

No final da década de 50 e início da década de 60, o Samba voltou a metamorfosear-se, desta feita com a ajuda da bossa nova – este género musical inovador, íntimo e harmonioso conquistou tudo e todos, incluindo o Samba. A influência do jazz esteve nas origens da bossa nova que, tal como o Samba, tem na cidade do Rio de Janeiro o seu berço. Mas foi um festival no Carnegie Hall de Nova Iorque, em 1962, que catapultou a bossa nova para o sucesso mundial que lhe é reconhecida hoje. Embora o Samba nunca tinha estado tão longe das suas raízes primitivas, continuou a ser cobiçado por todos os dançarinos, curiosos, amadores e profissionais. Porém, o regresso às origens e ao batuque tradicional do Samba deu-se mais depressa do que se imaginava e, a partir do final dos anos 60 e início dos anos 70 ganhou novo fôlego graças aos ritmos inconfundíveis de artistas como Chico Buarque, Billy Blanco, Paulinho da Viola, Zé Kéti, Cartola, Nelson Cavaquinho, Candeia e Martinho da Vila.

Anos 80 & 90

O Samba nunca deu sinais de abrandamento e a década de 80 é exemplo disso mesmo – os músicos emergentes não se cansavam de fazer experiências com o Samba, juntando-lhe novos ritmos como o reggae e o funk – uma receita de sucesso que contribuiu para o boom discográfico deste género de música brasileira. Em 1990 continua a haver novidades, desta feita com a criação de uma nova variante do Samba: o pagode! Fenómeno comercial dos anos 90, foi inspirado no Samba-choro e era de fácil aprendizagem – o que agradou a todos aqueles que aspiravam saber sambar!

Século XXI

O resto como se diz é história e o Samba nunca deixou de acrescentar novos capítulos à sua! Em 2005, o Samba-de-roda do Recôncavo Baiano foi declarado "Património da Humanidade" pela UNESCO, na categoria "expressões orais e imateriais". O seu sucesso e a paixão do povo brasileiro pela sua dança é tal que a data de 2 de Dezembro foi proclamada Dia Nacional do Samba. Hoje o Samba tem como grande palco o Carnaval brasileiro, não só o Rio de Janeiro, mas também Salvador, Recife e Olinda. Um dos símbolos mais genuínos do Brasil, o seu sucesso, sons e movimentos ecoam um pouco por todo o mundo.

Movimentos & Melodias

Energético e sensual, o Samba requer uma grande intimidade entre ambos os bailarinos que deslizam sobre a pista com semi-voltas para a direita e esquerda, o “whisk” e, claro, o inconfundível passo de samba – o mais difícil de aprender, mas não impossível. Originalmente tocado por cordas (cavaquinho e vários tipos de violão) e ainda diversos instrumentos de percussão, o Samba foi, ao longo dos anos, influenciado por outros saberes e sabores, nomeadamente as orquestras americanas da era pós-segunda guerra mundial, que lhe adicionaram as melodias de instrumentos como trombones, trompetes, flauta e clarinete. Embora existam dezenas de variações do Samba, a verdade é que a música confunde-se com a dança e vice-versa, sendo que a existência de uma sem a outra é impensável, ou melhor, é “insambável”!

Vídeo Demonstrativo

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